Sermão 039
Esboço de pregação
Lázaro: Quando Jesus Chega Depois do Quarto Dia
Quando o tempo de Deus parece atrasado e a esperança encontra a ressurreição
Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.
João 11:25
- Duração sugerida:
- aproximadamente 45 minutos
- Esboço de pregação:
- quando o tempo de Deus parece atrasado e a esperança encontra a ressurreição
- Noé da Silva Menezes
Visão geral da mensagem
Texto principal: João 11:1-44
Tema central: A morte de Lázaro revela que Jesus não é indiferente à dor humana e que sua autoridade alcança até aquilo que para nós parece definitivamente encerrado.
Propósito: Conduzir pessoas que enfrentam luto, espera ou situações aparentemente irreversíveis a confiar no caráter de Cristo, sem prometer que toda circunstância será revertida nesta vida.
Verdade principal
Jesus chegou quando Lázaro já estava no túmulo havia quatro dias, mas seu aparente atraso não significava ausência de amor; naquela história, Cristo revelaria sua glória e sua identidade como a ressurreição e a vida.
Roteiro dos 45 minutos
- Introdução - 5 min: Quando Jesus parece ter chegado tarde.
- 1. A família que Jesus amava também adoeceu - 4 min.
- 2. Amor não significa ausência de dias difíceis - 4 min.
- 3. Jesus permaneceu dois dias onde estava - 5 min.
- 4. Marta levou sua decepção até Jesus - 5 min.
- 5. Jesus não oferece apenas uma explicação, oferece a si mesmo - 5 min.
- 6. Jesus chorou diante do túmulo - 4 min.
- 7. 'Tirai a pedra': fé também responde ao chamado - 4 min.
- 8. 'Lázaro, vem para fora' - 4 min.
- Conclusão e apelo - 4 min.
Orientação ao pregador
Não transforme João 11 em promessa de que todo morto será ressuscitado agora, toda enfermidade será curada ou toda situação perdida será restaurada exatamente como desejamos. A ressurreição de Lázaro é um sinal específico que aponta para a identidade e autoridade de Jesus. O próprio Lázaro voltaria a morrer. A esperança definitiva do cristão está na ressurreição final em Cristo. Ao falar com pessoas enlutadas, evite culpar sua fé ou sugerir que uma oração mais intensa necessariamente teria produzido outro desfecho.
Introdução: quando Jesus parece ter chegado tarde (5 minutos)
Existem orações em que o relógio se torna parte da dor. Oramos e pensamos: “Se Deus tivesse agido ontem... se tivesse acontecido antes... se Jesus tivesse chegado quando ainda havia tempo...”
Marta e Maria conhecem esse tipo de frase. Quando Jesus chega a Betânia, Lázaro já está no sepulcro há quatro dias.
Chegando, pois, Jesus, achou que já havia quatro dias que estava na sepultura.
João 11:17
Do ponto de vista das irmãs, havia um momento em que Jesus poderia ter evitado tudo. Esse momento parecia ter passado.
O relógio pode dizer 'tarde demais'; Jesus continua sendo Senhor mesmo quando nossas possibilidades chegaram ao fim.
1. A família que Jesus amava também adoeceu (4 minutos)
Estava, porém, enfermo um certo Lázaro, de Betânia, aldeia de Maria e de sua irmã Marta.
João 11:1
Mandaram-lhe, pois, suas irmãs dizer: Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas.
João 11:3
A mensagem é tocante: “aquele que tu amas está enfermo”. Amor e enfermidade aparecem na mesma frase.
A fé cristã não ensina que ser amado por Jesus nos torna imunes à doença, ao luto ou às crises. Marta, Maria e Lázaro eram amados e ainda assim atravessaram um vale profundo.
Ser amado por Deus não significa viver fora do alcance da dor; significa que a dor nunca acontece fora do alcance do seu amor.
2. Amor não significa ausência de dias difíceis (4 minutos)
Ora, Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro.
João 11:5
João faz questão de registrar o amor de Jesus antes de narrar sua demora. Isso é importante porque circunstâncias dolorosas podem nos fazer reinterpretar o caráter de Deus.
Quando a resposta não vem como esperávamos, somos tentados a concluir: “Ele não se importa”. João coloca uma âncora no texto: Jesus amava aquela família.
Não conseguimos explicar cada sofrimento. Mas a cruz nos impede de concluir que Deus é indiferente ao sofrimento humano.
Não use uma estação dolorosa como régua definitiva para medir o amor de Deus.
3. Jesus permaneceu dois dias onde estava (5 minutos)
Ouvindo, pois, que estava enfermo, ficou ainda dois dias no lugar onde estava.
João 11:6
Esse versículo é desconcertante. Jesus recebe a notícia e não parte imediatamente.
Na narrativa, sabemos que existe um propósito ligado à manifestação da glória de Deus. Na nossa vida, porém, nem sempre receberemos explicações detalhadas para cada demora.
Por isso precisamos ter cuidado: não podemos chamar toda espera de estratégia secreta que depois compreenderemos perfeitamente. Às vezes a fé continua sem respostas completas.
A demora de uma resposta não nos dá licença para escrever uma conclusão precipitada sobre o caráter de Deus.
4. Marta levou sua decepção até Jesus (5 minutos)
Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.
João 11:21
Essa frase mistura fé e dor. Marta acredita no poder de Jesus e, ao mesmo tempo, lamenta sua ausência.
Jesus não a repreende por verbalizar aquilo que sente. A oração bíblica comporta lamento.
Mas também agora sei que tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá.
João 11:22
Marta está ferida, mas ainda conversa com Jesus. Isso já é uma forma de fé: levar a decepção a Ele em vez de transformá-la numa parede definitiva.
Fé não é nunca dizer 'Senhor, eu não entendo'; fé também é dizer isso olhando para Ele.
5. Jesus não oferece apenas uma explicação, oferece a si mesmo (5 minutos)
Disse-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar.
João 11:23
Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia.
João 11:24
Marta possui uma doutrina correta sobre o futuro. Jesus, então, desloca a conversa da ideia para sua própria pessoa.
Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?
João 11:25-26
Jesus não diz apenas: “Eu realizo ressurreições”. Diz: “Eu sou a ressurreição e a vida”. A esperança cristã está ancorada numa Pessoa.
Quando não temos uma explicação para segurar, ainda temos Cristo para quem olhar.
6. Jesus chorou diante do túmulo (4 minutos)
Jesus chorou.
João 11:35
É o versículo mais curto e uma das janelas mais profundas para o coração de Cristo. Jesus sabe o que fará em poucos minutos e, mesmo assim, chora.
Isso significa que conhecer o desfecho não torna a dor humana irrelevante. Jesus não chega ao funeral de Lázaro distribuindo frases frias.
Disseram, pois, os judeus: Vede como o amava.
João 11:36
Há momentos em que presença e lágrimas dizem mais que explicações rápidas.
O Cristo que chama mortos para fora do túmulo é o mesmo Cristo que chora diante dele.
7. 'Tirai a pedra': fé também responde ao chamado (4 minutos)
Disse Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã do defunto, disse-lhe: Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias.
João 11:39
Marta apresenta o fato concreto: quatro dias. A morte já deixara suas marcas.
Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?
João 11:40
Naquela cena, Jesus ordena que removam a pedra. Não porque precise de ajuda para ressuscitar Lázaro, mas porque os presentes têm uma resposta a dar.
Não devemos transformar cada “pedra” da vida numa alegoria. A aplicação segura é simples: quando Cristo deixa clara uma resposta de obediência, fé não é apenas sentimento; ela age.
Há coisas que somente Cristo pode fazer; e há respostas de obediência que Ele coloca diante de nós.
8. 'Lázaro, vem para fora' (4 minutos)
E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, vem para fora.
João 11:43
E o defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: Desligai-o, e deixai-o ir.
João 11:44
A voz de Jesus alcança onde nenhuma voz humana alcança. O sinal revela sua autoridade sobre a morte.
Mas Lázaro não é o ponto final do Evangelho. Sua ressurreição é temporária. Mais adiante, Jesus morrerá e ressuscitará para nunca mais morrer.
Lázaro saiu do túmulo porque Jesus o chamou; nossa esperança eterna existe porque o próprio Jesus venceu o túmulo.
9. O quarto dia não é o fim da história de Cristo
Para Marta, quatro dias significavam que todas as possibilidades humanas estavam encerradas. Para Jesus, o túmulo não era autoridade final.
Isso não significa que todo “quarto dia” terminará com a reversão que desejamos. Alguns cristãos morrem esperando curas que não vieram. A promessa maior é outra: em Cristo, a morte não terá a palavra final.
Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.
1 Coríntios 15:22
Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte.
1 Coríntios 15:26
A esperança cristã não é que nunca entraremos num cemitério; é que, em Cristo, o cemitério não será o capítulo final.
Conclusão: Ele continua sendo a ressurreição e a vida
Marta queria a presença de Jesus antes da morte de Lázaro. Jesus chegou depois e revelou algo que ela ainda precisava enxergar sobre quem Ele era.
Talvez você esteja vivendo depois do seu “se Tu estivesses aqui”. Há coisas que não podem mais ser refeitas. Há perdas que não serão apagadas nesta vida.
Mesmo assim, Jesus continua dizendo: “Eu sou a ressurreição e a vida”. A esperança não depende de voltarmos no tempo. Depende daquele que venceu a morte.
Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.
João 11:25
Quando não podemos voltar ao ontem, ainda podemos entregar o amanhã àquele que é a ressurreição e a vida.
Apelo evangelístico: Jesus não veio apenas adiar a morte, veio vencê-la
O milagre de Lázaro aponta para uma necessidade maior. Todos nós enfrentamos não apenas a morte física, mas a realidade espiritual do pecado.
Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.
Romanos 3:23
Jesus entrou em nossa condição, morreu na cruz por nossos pecados e ressuscitou.
Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.
1 Coríntios 15:3-4
A ressurreição de Cristo não é apenas um símbolo de recomeço. É o coração histórico da esperança cristã.
Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.
Romanos 10:9
Hoje, Jesus pergunta como perguntou a Marta: “Crês tu isto?”. Arrependa-se dos seus pecados, confie em Cristo e receba Jesus como seu único e suficiente Salvador.
Oração de entrega
Senhor Jesus, eu reconheço que preciso de Ti. Há coisas que não entendo, esperas que me cansam e perdas que doem. Mas hoje escolho levar tudo isso à tua presença.
Confesso meus pecados e me arrependo. Creio que morreste por mim e ressuscitaste. Eu Te recebo como meu único e suficiente Salvador e Senhor. Ensina-me a confiar quando o relógio parece atrasado, sustenta-me no luto e firma minha esperança na ressurreição. Que minha vida pertença a Ti, hoje e para sempre. Em nome de Jesus. Amém.
Frases de impacto
O relógio pode dizer 'tarde demais'; Jesus continua sendo Senhor mesmo quando nossas possibilidades chegaram ao fim.
Ser amado por Deus não significa viver fora do alcance da dor; significa que a dor nunca acontece fora do alcance do seu amor.
Não use uma estação dolorosa como régua definitiva para medir o amor de Deus.
Fé não é nunca dizer 'Senhor, eu não entendo'; fé também é dizer isso olhando para Ele.
Quando não temos uma explicação para segurar, ainda temos Cristo para quem olhar.
O Cristo que chama mortos para fora do túmulo é o mesmo Cristo que chora diante dele.
A esperança cristã não é que nunca entraremos num cemitério; é que, em Cristo, o cemitério não será o capítulo final.
Quando não podemos voltar ao ontem, ainda podemos entregar o amanhã àquele que é a ressurreição e a vida.